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Domingo, 7 de Outubro de 2007

Temor da morte

Temor da Morte

 
 
 I

Que a morte me desmembre em outro, e eu fique 
Ou o nada do nada ou o de tudo
E acabo enfim esta consciência oca 
Que de existir me resta.

Sinto um tropel esfuziante e quente
De propósitos-sombras, e de impulsos 
Transbordando do cálix da consciência 
Para cima da vida...

II

                                ... só um sentimento
De desejar eterna quietação,
Ambição vaga de fechar os olhos
E vaga esp'rança de não mais abri-los. 
Ânsia cansada de não mais viver;
Meu cérebro esvaído não lamenta
Nem sabe lamentar.  Tumultuárias
Idéias mistas do meu ser antigo
E deste, surgem e desaparecem
Sem deixar rastos à compreensão.
.....................................................................
Já deslumbradas, vãs, incoerentes,
Amargas, [vagas] desorganizações
Que nem deixam sofrer.  Vem pois, oh Morte!
Sinto-te os passos!  Sinto-te!  O teu seio
Deve ser suave e ouvir teu coração
Como uma melodia estranha e vaga
Que enleva até ao sono e passa o sono.
Nada.  Já nada [passa] — nada, nada...
Vai-te, Vida!

III

Ah, o horror de morrer!
E encontrar o mistério frente a frente 
Sem poder evitá-lo, sem poder...

IV

Gela-me a idéia de que a morte seja
O encontrar o mistério face a face
E conhecê-lo.  Por mais mal que seja
A vida e o mistério de a viver
E a ignorância em que a alma vive a vida,
Pior me [relampeja] pela alma
A idéia de que enfim tudo será
Sabido e claro...
.....................................................................
Pudesse eu ter por certo que na morte
Me acabaria, me faria nada,
E eu avançara para a morte, pávido 
Mas firme do seu nada.

V

                ...gela-me apenas, muda,
A presença da morte que triplica 
O sentimento do mistério em mim.

VI

Mistério, vai-te, esmagas-me!  Ah, partir
Esta cabeça contra aquele muro
E tombar morto.  Mas a morte, a morte,
Ali, como a temo!  Para onde fugir?
Na vida nem na morte tenho abrigo.
Maldita seja... Quem? Quem faz o mal,
Este que sinto!  Ah, mas já [nem] posso
Amaldiçoar...

VII

Não é o horror à morte, porque raie
Nela o mistério em mim, nem venha nela 
Ou o acabar-me ou o continuar-me
.....................................................................
Não. Não é minha alma que os sineiros
Rebatem medos pelo que hei de ser. 
É a minha carne que em minha alma grita
Horror à morte, carnalmente o grita, 
Grita-o sem consciência e sem propósito, 
Grita-o sem outro medo do que o medo.  
Um pavor corporado, um pavor frio 
Como uma névoa, um pavor de todo eu 
Subindo à tona intelectual de mim.

VIII

O animal teme a morte porque vive,
O homem também, e porque a desconhece;
Só a mim é dado com horror
Temê-la, por lhe conhecer a inteira
Extensão e mistério, por medir
O [infinito] seu de escuridão.
.....................................................................
Dor que transcende o verbo e o sentimento
Criando um sentimento para si
Do qual o Horror é apenas a aparência
Pensável e sensível do exterior.
.....................................................................
Uns têm — e é sofrer — o duvidar:
Há Deus ou não há Deus?  Há alma ou não?
Eu não duvido, ignoro.  E se o horror
De duvidar é grande, o de ignorar
Não tem nome nem entre os pensamentos.

IX

Medo da morte, não; horror da morte.
Horror por ela ser, pelo que é
E pelo inevitável.

X

                                ... ao condenado
Inda no seu horror lhe luz ao menos
Uma sombra desesperada d'esperança;
Inda o horror que espera não é aquele
Horror da morte — não tem o intenso
Arrastar da inevitabilidade
Que a morte tem. A mim nem esperança
Nem suspeita de sombra de esperança
Ocorre, mas o horror completo e negro.
Isso que lhe aparece qual resgate
É o que eu temo!

XI

Ah, não me ofendas com palavras vãs
O horror do pensamento.  Ninguém
Como eu teve este horror.  Nem poderá
Nas veias e na alma do seu sangue
Tê-lo tão íntimo [...]
Tão feito um comigo.
.....................................................................
As figuras do sonho não conhecem
O sonho [...] de que são figuras,
Porque o mundo não só é [já] sonhado
Mas é dentro dum sonho um [sonho] real,
Em que sonhados são os sonhadores
Também.
.....................................................................
Não poder apagar esta tortura
Não poder despegar-me deste Ser; 
Não poder esquecer-me desta vida ...

XII

Só uma cousa me apavora 
A esta hora, a toda a hora: 
É que verei a morte frente a frente 
Inevitavelmente.
Ah, este horror como poder dizer!
Não lhe poder fugir.  Não podê-lo esquecer.

E nessa hora em que eu e a Morte 
Nos encontrarmos
O que verei?  O que saberei?
Horror!  A vida é má e é má a morte 
Mas quisera viver eternamente 
Sem saber nunca [...] isso que a morte traz [...]
.....................................................................
Que o tempo cesse!
Que pare e fique sempre este momento!
Que eu nunca me aproxime desse
Horror que mata o pensamento!

Envolvei-me, fechai-me dentro em vós
E que eu não morra nunca.
publicado por busybee às 14:05
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Terça-feira, 8 de Maio de 2007

sem título

Quem ama nunca sabe o que ama,
Nem sabe porque ama,
Nem o que é amar.
Amar é a eterna inocência
E a única inocência é não pensar.
publicado por busybee às 19:43
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Quinta-feira, 8 de Março de 2007

Trecho 433, Livro do Desassossego, Bernardo Soares

Passei entre eles estrangeiro porém nenhum viu que eu o era. Vivi entre eles espião, e ninguém, nem eu, suspeitou que eu o fosse. Todos me tinham por parente: nenhum sabia que me haviam trocado à nascença. Assim fui igual aos outros sem semelhança, irmão de todos sem ser família.

Vinha de prodigiosas terras, de paisagens melhores que a vida, mas das terras nunca falei, senão comigo, e das paisagens, vistas se sonhava, nunca lhes dei notícia. Meus passos eram como os deles nos soalhos e nas lajes, mas o meu coração estava longe, ainda que batesse perto, senhor falso de um corpo desterrado e estranho.

Ninguém me conheceu sob a máscara da igualha, nem soube nunca que era máscara, porque ninguém sabia que neste mundo há mascarados. Ninguém supôs que ao pé de mim estivesse sempre outro, que afinal era eu. Julgaram-me sempre idêntico a mim.

Abrigaram-me as suas casas, as suas mãos apertaram a minha, viram-me passar na rua como se eu lá estivesse; mas quem sou não esteve nunca naquelas salas, quem vivo não tem mãos que os outros apertem, quem me conheço não tem ruas por onde passe, a não ser que sejam todas as ruas, nem que nelas o veja, a não ser que ele mesmo seja todos os outros.

Vivemos todos longínquos e anónimos; disfarçados, sofremos desconhecidos. A uns, porém, esta distância entre um ser e ele mesmo nunca se revela; para outros é de vez em quando iluminada, de horror ou de mágoa, por um relâmpago sem limites; mas outros ainda é essa a dolorosa constância e quotidianidade da vida.

Saber bem que quem somos não é connosco, que o que pensamos ou sentimos é sempre uma tradução, que o que queremos o não quisemos, nem porventura alguém o quis - saber tudo isto a cada minuto, sentir tudo isto em cada sentimento, não será isto ser estrangeiro na própria alma, exilado nas próprias sensações?

Mas a máscara, que estive fitando inerte, que falava à esquina com um homem sem máscara nesta noite de fim de Carnaval, por fim estendeu a mão e se despediu rindo. O homem natural seguiu à esquerda, pela travessa a cuja esquina estava. A máscara - dominó sem graça - caminhou em frente, afastando-se entre sombras e acasos de luzes, numa despedida definitiva e alheia ao que eu estava pensando. Só então reparei que havia mais na rua que os candeeiros acesos, e, a turvar onde eles não estavam, um lugar vago, oculto, mudo, cheio de nada como a vida...
publicado por busybee às 19:37
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Sexta-feira, 29 de Dezembro de 2006

trecho 188, Livro do Desassossego, Bernardo Soares

O homem vulgar, por mais que dura lhe seja a vida, tem ao menos a felicidade de não a pensar. Viver a vida decorrentemente, exteriormente, como um gato ou um cão - assim fazem os homens gerais, e assim se deve viver a vida para que possa contar a satisfação do gato e do cão.
Pensar é destruir. O próprio processo do pensamento o indica para o mesmo pensamento, porque pensar é decompor. Se os homens soubessem meditar no mistério da vida, se soubessem sentir as mil complexidades que espiam a alma em cada pormenor da acção, não agiriam nunca, não viveriam até. Matar-se-iam de assustados, como os que se suicidam para não ser guilhotinados no dia seguinte.
publicado por busybee às 10:31
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trecho 182, Livro do Desassossego, Bernardo Soares


INTERVALO

Antefalhei a vida, porque nem sonhando-a ela me pareceu deleitosa.
Chegou até mim o cansaço dos sonhos... Tive ao senti-lo uma sensação externa e falsa, como a de ter chegado ao término de uma estrada infinita. Transbordei de mim não sei para onde, e aí fiquei estagnado e inutil. Sou qualquer coisa que fui. Não me encontro onde me sinto e se me procuro, não sei quem é que me procura. Um tédio a tudo amolece-me. Sinto-me expulso da minha alma.
Assisto a mim. Presenceio-me. as minhas sensações passam diante de não sei que olhar meu como coisas externas. Aborreço-me de mim em tudo. Todas as coisas são, até às suas raízes de mistério, da cor do meu aborrecimento.
Estavam já murchas as flores que as Horas me entregaram. A minha única acção possível é i-las desfolhando lentamente. E isso é tão complexo de envelhecimentos!
A mínima acção é-me dolorosa como uma heroicidade. O mais pequeno gesto pesa-me no ideá-lo, como se fora uma coisa que eu realmente pensasse em fazer.
Não aspiro a nada. Dói-me a vida. Estou mal onde estou e já mal onde penso em poder estar.
O ideal era não ter mais acção do que a acção falsa de um repuxo - subir para cair no mesmo sítio, brilho ao sol sem utilidade nenhuma a fazer som no silêncio da noite para que quem sonhe pense em rios no seusonho e sorria esquecidamente.
publicado por busybee às 10:19
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Quarta-feira, 29 de Novembro de 2006

...

Lisboa com as suas casas

De várias cores,

Lisboa com suas casas

De várias cores,

Lisboa com suas casas,

De várias cores...

À força de diferente, isto é monótomo.

Como à força de sentir, fico só a pensar.

 

Se, de noite, deitado mas esperto,

Na lucidez inútil de não poder dormir,

Quero imaginar qualquer coisa

E surge sempre outra (porque há sono,

E, porque há sono, um bocado de sonho),

Queo alongar a vista com que imagino

Por grandes palmares fantásticos.

 

Mas não vejo mais,

Contra uma espécie de lado de dentro de pálpebras,

Que Lisboa com suas casas,

De várias cores.

 

Sorrio, porque, aqui, deitado, é outra coisa.

À força de monótono, é diferente.

E, à força de ser eu, durmo e esqueço que existo.

 

Fica só, sem mim, que esqueci porque durmo,

Lisboa com suas casas,

De várias cores.

publicado por busybee às 19:33
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Quarta-feira, 1 de Novembro de 2006

Carta a Ophélia não datada

Meu Ibis Chamado Ophelia:

Pasma, ente pequeno e pessimo! aqui te estou escrevendo, contra meu habito, uso e costume! Parece impossível - mas não há duvida. A penna corre sobre o papel, tem tinta, e por isso produz lettras. Essas lettras formam palavras... mas (diga-se a verdade) essas palavras não tem um sentido por ahi além.
Ibis do Ibis: quero jinhos, quero muitos jinhos. Tenho fome de jinhos, tenho sêde de jinhos, tem somno de jinhos. Só jihos é que não tenho.
Amanhã, á 1 hora, passo pela tua casa, como está combinado. Creio que me conhecerás; mas é possivel que eu passe disfarçado de vendedor de cauttelas, ou de mão de vacca, ou de carroça por concertar. Não sei ainda. Se tiver juizo, irei por meu pé. Se não tiver juizo, irei por meu juizo.
Sabes que estou quasi pensando em que terei, afinal, tempo de te ir esperar? Se verificar que sim, levo eu mesmo esta carta, e entrego á Ibis do Ibis da Ibis do Ibis.
O mais natural, porém, é que (o contrário do que está acima).
Nesse caso esta carta irá ter a casa da tua irmã. Mandal-a-hei por alguém, pois é tarde de mais para a deitar no correio.
Tu, hoje e amanhã, se tiveres occasião e te quizeres lembrar de um certo Ibis que gosta um tanto ou quanto de ti, faz o possível por te lembrar. Sim, Ninhinha do Nininho do Bébé do Ibis da Vespa do

                                                                                                                  
                                                                                          
                                                                                                                                                Fernando


Jinhos x um milhão
publicado por busybee às 13:31
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Sexta-feira, 6 de Outubro de 2006

Ode de Ricardo Reis

Antes de nós nos mesmos arvoredos
Passou o vento, quando havia vento,
E as folhas não falavam
De outro modo do que hoje.

Passamos e agitamo-nos debalde.
Não fazemos mais ruído no que existe
Do que as folhas das árvores
Ou os passos do vento.

Tentemos pois com abandono assíduo
Entregar nosso esforço à Natureza
E não querer mais vida
Que a das árvores verdes.

Inultimente parecemos grandes.
Salvo nós nada pelo mundo fora
Nos saúda a grandeza
Nem sem querer nos serve.

Se aqui, à beira-mar, o meu indício
Na areia o mar com ondas três o apaga,
Que fará na alta praia
Em que o mar é o Tempo?
publicado por busybee às 18:54
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Sexta-feira, 15 de Setembro de 2006

Trecho 381 do Livro do Desassossego, Bernardo Soares

Ninguém ainda defeniu, com linguagem com que compreendesse quem o não tivesse experimentado, o que é o tédio. O a que uns chamam tédio, não é mais que aborrecimento; o que a outros o chamam, não é senão mal-estar; há outros, ainda, que chamam tédio ao cansaço. Mas o tédio, embora participe do cansaço, e do mal-estar, e do aborrecimento, participa deles como a água participa do hidrogénio e oxigénio, de que se compõe. Inclui-os sem a eles se assemelhar.
Se uns dão assim ao tédio um sentido restrito e incompleto, um ou outro lhe presta uma significação que em certo modo o transcende - como quando se chama tédio ao desgosto íntimo e espiritual da variedade e da incerteza do mundo. O que faz a brir a boca, que é o aborrecimento; o que faz mudar de posição, que é o mal-estar; o que faz não se poder mexer, que é o cansaço - nenhuma das coisas é o tédio; mas também o não é sentimento profundo da vacuidade das coisas, pelo qual a aspiração frustrada se liberta, a ância desiludida se ergue, e se forma na alma a semente da qual nasce o místico ou o santo.
O tédio é, sim, o aborrecimento do mundo, o mal-estar de estar vivendo, o cansaço de se ter vivido; o tédio é, deveras, a sensação carnal da vacuidade prolixa das coisas. Mas o tédio é, mais do que isto, o aborrecimento de outros mundos, quer existam quer não; o mal-estar de ter que viver, ainda que outro, ainda que de outro modo, ainda de que outro mundo; o cansaço, não só de ontem e de hoje, mas de amanhã também, da eternidade, se a houver, e do nada, se é ele que é a eternidade. Nem é só a vacuidade das coisas e dos seres que dói a alma quando ela está em tédio: é também a vacuidade de outra coisas qualquer, que não as coisas e os seres, a vacuidade da própria alma que sente o vácuo, que se sente vácuo, e que nele de si se enoja e se repudia.
O tédio é a sensação física do caos, e de que o caos é tudo. O aborrecido, o mal-estante, o cansado sente-se algemado numa cela estreita. Mas o que tem tédio sente-se preso em liberdade fruste numa cela infinita. Sobre o que se aborrece, ou tem mal-estar, ou fadiga, podem desabar os muros da cela, e soterrá-lo. Ao que se desgosta da pequenez do mundo podem cair as algemas, e ele fugir, ou doer de as poder tirar, e ele, com sentir a dor, reviver-se sem desgosto. Mas os muros da cela infinita não os podem soterrar, porque não existem; nem nos podem sequer fazer viver pela dor as algemas que ninguém nos pôs.

E é isto que eu sinto ante a beleza plácida desta tarde que finda imperecivelmente. Olho o céu alto e claro, onde as coisas vagas, róseas, como sombras de nuvens, são uma penugem impalpável de uma vida alada e longínqua. Baixo os olhos sobre o rio, onde a água, não mais que levemente trémula, é de um azul que parece espelhado de um céu mais profundo. Ergo de novo os olhos ao céu, há já, entre o que de vagamente colorido se esfia sem farrapos no ar invisível, um tom algendo [sic] de branco baço, como se alguma coisa também das coisas, onde são mais altas e frustes, tivesse um tédio material próprio, uma impossibilidade de ser o que é, um corpo imponderável de angústia e de desolação,

Mas quê? Que há no ar alto mais que o ar alto, que não é nada? Que há no céu mais que uma cor que não é dele? Que há nesses farrapos de menos que nuvens, de que já duvido, mais que uns reflexos de luz materialmente incidentes de um sol já submisso? Que há em tudo isto senão eu? Ah, mas o tédio é isso, é só isso. É que em tudo isto - céu, terra, mundo - o que há me tudo isto não é senão eu!
publicado por busybee às 19:35
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Segunda-feira, 21 de Agosto de 2006

outra Ode de Ricardo Reis

Nada fica de nada. Nada somos.
Um pouco de sol e ao ar nos atrasamos
Da irrespirável treva que nos pese
Da humilde terra imposta,
Cadáveres adiados que procriam.

Leis feitas, estátuas vistas, odes findas -
Tudo tem cova sua. Se nós carnes
A que um íntimo sol dá sangue, temos
Poente, por que não elas?
Somos contos contando contos, nada.
publicado por busybee às 13:08
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