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Quarta-feira, 27 de Abril de 2005

Alberto Caeiro (poema)

Se eu morrer novo,
sem poder publicar livro nenhum,
Sem ver a cara que têm os meus versos em letra impressa,
Peço que, se se quiserem ralar por minha causa,
QUe não se ralem.
Se assim aconteceu, assim está certo.

Mesmo que os meus versos nunca forem impressos,
Eles lá terão a sua beleza, se forem belos.
Mas eles não podem ser belos e ficarem por imprimir,
Porque as raízes podem estar debaixo da terra
Mas as flores florescem ao ar livre e à vista.
Tem que ser assim por força. Nada o pode impedir.

Seu eu morrer muito novo, oiçam isto:
Nunca fui senão uma criança que brincava.
Fui gentio como o sol e a água,
De uma religião universal que só os homens não têm.
Fui feliz porque nao pedi coisa nenhuma,
Nem procurei achar nada,
Nem achei que houvesse mais explicação
Que a palavra explicação não ter sentido nenhum.

Não desejei senão estar ao sol ou à chuva-
Ao sol quando havia sol
E à chuva quando estava chovendo
(E nunca a outra coisa),
Sentir calor e frio e vento,
E não ir mais longe.

Uma vez amei, julguei que me amariam,
Mas não fui amado.
Não fui amado pela única grande razão-
Porque não tinha que ser.

Consolei-me voltando ao sol ou à chuva,
E sentando-me outra vez à porta de casa.
Os campos, afinal, não são tão verdes para os que são amados
Como para os que o não são.
Sentir é estar distraído.
publicado por busybee às 21:13
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1 comentário:
De Anónimo a 16 de Maio de 2005 às 21:05
Oixxxx...xpero k teja td bm kntg...o poema é fixe...kuand puders paxa n meu blog ok?...e komo és d benfika...+ 1a razão...loly...axo k já vist o k é k eu poxtei lá...lol...bm já dixe td o k tnh pa dixer...bjkx ffx d vanexa*******=PVanexa
(http://www.photoblog.be/vanessa_slb)
(mailto:)

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