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Quinta-feira, 31 de Março de 2005

trecho 115 Livro do Desassossego, Bernardo Soares

A persistência instintiva da vida da aparência da inteligência é para mim uma das contemplações mais íntimas e mais constantes. O disfarce ireal da consciência serve somente para me destacar aquela consciência que não disfarça. Da nascença à morte, o homem vive servo da mesma exterioridade de si mesmo que têm os animais. Toda a vida não vive, mas vegeta em maior grau e com mais complexidade. Guia-se por normas que não sabe que existem, nem que por elas se guia, e as suas ideias, os seus sentimentos, os seus actos, são todos inconscientes - não porque neles fale a consciência, mas porque neles não há duas consciências. Vislumbres de ter a ilusão - tanto, e não mais, tem o maior dos homens. Sigo, num pensamento de divagação, a história vulgar das vidas vulgares. Vejo como em tudo são servos do temperamento subconsciente, das circunstâncias externas alheias, dos impulsos de convívio e desconvívio que nele, por ele e com ele se chocam como pouca coisa. Quantas vezes os tenho ouvido dizer a mesma frase que simboliza todo o absurdo, todo o nada, toda a inscência falada das suas vidas. É aquela frase que usam de qualquer prazer material: « é o que a gente leva desta vida» ... Leva onde? leva para onde? leva para quê? Seria triste despertá-los da sombra com uma pergunta como esta...Fala assim um materialista, porque todo o homem que fala assimé, ainda que subconscientemente, materialista. O que é que ele pensa levar da vida, e de que maneira? Para onde leva as costelas de porco e o vinho tinto e a rapariga casual? Para o céu em que não crê? Para que terra para onde não leva senão a podridão que toda a sua vida foi de latente? Não conheço frase mais trágica nem mais plenemente reveladora da humanidade humana. Assim diriam as plantas se soubessem conhecer que gozam do sol. Assim diriam dos seus prazeres sonâmbulos os bichos inferiores ao homem na expressão de si mesmos. E, quem sabe, eu falo, se, ao escrever estas palavras numa vaga impressão de que poderão durar, não acho também que a memória de as ter escrito é o que eu «levo desta vida». E, como o inútil cadáver do vulgar à terra comum, baixa ao esquecimento comum o cadáver igualmente inútil da minha prosa feita a atender. As costelas de porco, o vinho, a rapariga de outro? para que troço eu deles? Irmãos na comum consciência, modos diferentes do mesmo sangue, formas diversas da mesma herança- qual de nós poderá renegar o outro? Renega-se a mulher mas não a mãe, não o pai, não o irmão.
publicado por busybee às 19:59
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1 comentário:
De Anónimo a 20 de Abril de 2005 às 17:45
ola =) dsclp la aki a publicidade...espero k n t importes..kero so dizer k abri um blog sobre o massacre ds animais k é http://diznao.blogs.sapo.pt e kero k as pexoas vejam cmo os animais sofrem ns maos d nos humanos ATENXAO S ES SENSIVEL E S T SENTIRES MAL CM AS IMAGENS K VOU POR E TEXTOS FEXA O SITE bjks***
karina
(http://givemawhisper.blogs.sapo.pt)
(mailto:karina_galveia@hotmail.com)

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