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Terça-feira, 11 de Outubro de 2005

biografia de Pessoa-Adolescência

Depois de ter acabado o curso dos liceus e frequentado um curso nocturno de comércio em Durban, a mãe e o padrasto acharam que o jovem Fernando deveria regressar a Portugal e entrar na Faculdade de Letras. Sempre tirara as notas mais altas nas disciplinas relacionadas com HIstória, Literatura e Latim.

Pessoa partiu sozinho em Agosto de 1905 no Herzog rumo Lisboa. Viveu durante algum tempo na casa das tiasavós, Maria Xavier Pinheiro da Cunha e Rita Xavier Pinheiro. Conta-se que uma tia, uma velha solteirona, apesar de gostar muito do sobrinho e de lhe ter bastante carinho o maçava com muitas recomendações, e que Fernando lhe respondeu não ofensivamente o seguinte : «Olhe, tia, enterre-se num balde».
Depois mudou-se para a casa da irmã de sua mãe, Ana Nogueira de Freitas ( a tia Anica), onde ficou instalado até esta se ausentar para a Suíça com a família de sua filha Maria, pois o seu genro era engenheiro naval e fez um curso de engenharia electrotécnica com uma bolsa de estudo na Suíça. A figura de Álvaro de Campos foi, segundo sempre se pensou, uma pista literária consequente deste facto próximo e familiar. Seria?

Durante esse tempo Fernando Pessoa, ainda jovem, continou a escrever poemas em inglês. Matriculou-se no curso superior de Letras, que frequentou durante pouco tempo devido a vários factores. Um deles doi a greve académica que levou D.Carlos a dissolver as Cortes e que contribuiu para que houvesse um ambiente político caótico, e além disso Fernando Pessoa não encontrou motivos que o interessasem para tirar o curso. A cultura adquirida na África do Sul, onde teve um grande mestre, o Professor Nicholas, director da escola, levou-o a desiludir-se e a abandonar rapidamente a Faculdade de Letras de Lisboa, onde o ensino era bem diferente.
Em Outubro de 1906, a família voltou a Portugal e Fernando Pessoa mudou-se para a calçada da Estrela nº100, 1º andar, onde residiram durante cerca de um ano, no fim do qual morreria a irmã Maria Clara. A mortalidade infantil era bastante elevada na altura, mas a morte dos três irmãos teria-o afectado bastante. Os desgostos, as mudanças, as viagens, a adaptação aos estudos em Português e Inglês, foram factores que o estimularam para a sua precoce criatividade, e também tenham propiciado a tendência para a depressãp e a nostalogia.
A educação adquirida nas escolas inglesas era, na altura, de grande contenção emocional, não sendo considerado de bom tom mostrar as emoções publicamente, talvez essa contenção que o acompanhou sempre, assim como a outros membros da família, o estimulasse para a escrita, constituísse um veículo de escape.
A grande afeição da vida de Pessoa foi sempre a sua mãe e vê-la desgostosa em tantas ocasiões devia ser-lhe doloroso. Era uma afeição e admiração. Maria Madalena era bonita, culta, dominava o Inglês e o francês, tocava piano, escrevia versos e interessava-se por culinária. Os serões musicais nas casas de Durban e Pretória nunca foram esquecidos por Fernando Pessoa e seus irmãos. Ainda hoje, a família conserva alguns álbuns de música com partituras de piano e flauta, instrumento que o padrasto (a quem chamava pai) João Miguel tocava acompanhado pela mulher ao piano. Na correspondência, há notícia de garden-parties e são referidas as lições de canto, pintura e doçaria que a jovem Teca recebia. Mais tarde, utilizaria os seus dotes musicais em reuniões de família.

Fernando Pessoa dedicou vários poemas à mãe e à única irmã sobrevivente. Existe uma vaste correspondência entre os irmãos que testemunha a ternura e o bom relacionamento que os unia.
O irmão do padrasto, General Henrique dos Santos Roza, a quem teve se tratar vários assuntos burocráticos, tinha uma cultura fora do vulgar, e teve como amigos vários intelectuais da época deixou um espólio literário manuscrito, essencialmente poético, que ainda hoje existe. Muita dessa poesia foi publicada por Pessoa na revista Athena.
Na verdade, o General Henrique Roza, era um republicano convicto e influenciou por algum tempo o pensamento de Fernando Pessoa, dando aso aos momentos de anti-clericalismo expressos numa poesia irreverente datada de 25/10/1910.
A leitura da poesia de Henrique Roza, Teixeira de Pascoais, Camilo Pessanha e das obras de outros autores incluídas na biblioteca do General, anotadas e sublinhadas nas margens, influenciou os poemas que Pessoa escreveu nesta época, especialmente a sua poesia em inglês, publicada e inédita, que também prestava tributo à leitura dos clássicos ingleses.

Em 1908, com vinte anos, Pessoa escreveu um poema dedicadi a Antero de Quental em que mostra a sua decepção com a política que se fazia em Portugal. O amor à Pátria, que teria como expoente máximo a Mensagem ( a que pensou dar o título de Portugal) está patente desde o ínicio da sua escrita. Manifestou também um sentimento de sofrimento atroz em relação aos males da Pátria num escrito emocional datado de 5 de Setembro de 1908, em que diz : « Todos os dias os jornais me trazem notícias de factos que são humilhantes, [...] para nós, Portugueses. Ninguém pode imaginar como eu sofro com elas.»

Os anos da Grande Guerra iniciada em 1914 ocasionaram uma longa separação da família, que então habitava em Pretória. Foram anos de amargura, principalmente para a mãe. Infelizmente, as cartas que Pessoa escreveu aos seus familiares não foram conservadas como ela conservou todas que lhe enviaram. As mudanças de casa em África, fizeram com que a família deixa-se muita coisa pelo caminho, incluíndo móveis livros, etc. Subsistem, todavia, alguns testemunhos de amos e afecto, como postais, fotografias assinadas e as memórias dos que lhe sobreviveram, que servem de contraponto ao espólio epistolar que Fernando Pessoa religiosamente guardou.
Podemos corroborar, assim, muitas afirmações que encontramos, por exemplos, no livro Fernando Pessoa na Intimidade, de Isabel Murteira França, sobrinha-neta do poeta. Este livro baseia-se em entrevistas feitas à sua avó, Henriqueta Madalena, e apresenta excertos de um Diário de 1913, que esta última comentava deste modo: « Olha, o Fernando era assim, tinha sempre mil planos, mil ideias, esboços e, realmente muitos não chegava a concretizar. O seu espírito, tantas vezes quase febril, perdia-se na anarquia do deu desassossego interior.»
Entre 1913 e 1919, Pessoa viveu o entusiasmo próprio da sua juventude e, nas cartas ao amigo Armando Cortes Rodrigues manifestava já muitas das suas intenções, dando explicações sobre a heteronímia e fazendo planos para o futuro. Participava em vários grupos literários, desdobrava-se em iniciativas, rasgava protocolos assumidos em cátedras. Apesar de ser suave e cordato no trato familiar e social, irrompia em violências de conceito e estilo, criticava os políticos e a igreja. Fazia igualmente planos tendo em vista possíveis negócios, mas lastimava-se muitas vezes ( em alguns escritos) de sofrer de apatia na concretização de assuntos que passassem pela burocracia.

Em 1918, Santa Rita Pintor, que fazia parte do Portugal Futurista, morreu, vítima de uma gripe a que chamavam «a espanhola», deixando Fernando Pessoa mutio abalado pois, como ele, era um guerrilheiro para uma mudança. Amadeu de Souza-Cardoso também morreu no mesmo ano e Sidónio Pais foi vítima de um atentado. Estes acontecimentos foram profundamente chocantes para o poeta que, em Fevereiro de 1920, dedicou ao político assassinado um poema intitulado « À memória do Presidente-Rei Sidónio Pais».
Recorde-se que em 1917 o heterónimo Bernardo Soares já «escrevia» excertos para o futuro Livro do Desassossego. É preciso não esquecer que, exceptuando as publicações em revistas e jornais, só os poemas ingleses e a Mensagem foram publicados em vida do poeta. Muito do que se tem vindo a publicar não estaria certamente na sua forma definitiva, o que em nada diminui a importância de dar a conhecer ao público essa obra oculta à data da sua morte.




As informações deste texto, bem como algumas frases foram retiradas do livro « Fernando Pessoa, imagens de uma vida» publicado pela sua sobrinha, Manuela Nogueira

publicado por busybee às 20:15
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