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Sexta-feira, 30 de Setembro de 2005

Biografia de Pessoa-Infância

Fernando António de Nogueira Pessoa nasceu no ano de 1888, no dia 13 de Junho, às 3 horas e 20 minutos, numa casa ainda hoje existente no Largo de S.Carlos, no nº4, quarto andar esquerdo, em Lisboa.
Viria a passar a sua infância em Durban, África do Sul com a sua mãe Maria Madalena Xavier Pinheiro Nogueira (natural da ilha terceira nos Açores), seu padrasto e seus irmãos, pois seu pai, Joaquim de Seabra Pessoa morrera em 1893 vítima de tuberculose. Um ano mais tarde morreria o seu irmão mais novo.Estes anos teriam sido dificeis para Pessoa, na altura com seis anos de idade.
Em 1895, quando a familia vivia no meio mais modesto e económico pessoa fez o seu primeiro poema dedicado a sua mãe:
« À minha querida Mamã:
Eis-me aqui em Portugal
Nas terras onde nasci.
Por muito que goste delas
Ainda gosto mais de ti»
Em Dezembro do ano seguinte sua mãe casou por procuração com o Comandante João Miguel dos Santos Rosa, nomeado posteriormente Cônsul na Província de Natal, África do Sul. Modaram-se mais tarde para Durban e em 27 de Novembro de 1897 nasceu sua irmã Henriqueta Madalena (Teca). A casa situava-se em West- Steet, rua onde havia um colégio irlandês de freiras onde o pequeno Fernando obteve a equivalência dos estudos de Portugal, reduzindo os cinco anos de estudo em apenas três e fez a sua primeira comunhão. A sua família considerou extrordinária a rápida adaptação ao domínio do Inglês que lhe permitiu conseguir este resultado, uma vez que era o Francês a língua estrangeira que praticava com sua mãe em casa.
No ano seguinte nasceu outra irmã, Madalena Henriqueta ( tinha os dois nomes opostos das avós postos ao inverso dos da primeira irmã pois era vulgar na altura colocar os nomes dos antepassados nas crianças).
Fernando Pessoa viria a entrar para a Durban High School, com o objectivo de fazer o correspondente ao ensino secundário, onde demonstrou ser um aluno fora do vulgar. Foi nessa altura que criou um dos seus primeiros heterónimos: Alexander Search ( Chavalier de Pas teria sido o primeiro de todos). Sabe-se que Pessoa inventou muito novo personagens, que mais tarde, assumiriam uma identidade própria, dando origem aos vários heterónimos. É claro que a leitura dos clássicos ingleses serviu de base para a sua criatividade, sendo de mencionar a influência de Sheakespeare, Macaulay, Chesterton, etc..., e ainda o americano Walt Whitman. A vida de Durban e Pretória foi agradável e o lar constituído por este segundo casamento de sua mãr era estável, afectuoso e alegre.
Nessa altura as relações luso-britânicas nem sempre foram fáceis e tanto Pessoa como a sua irmã Teca relembravam mais tarde as conversas preocupadas sobre os problemas políticos que então se faziam sentir em Portugal, muitos relacionados com a Grã-Bretanha.
A 11 de Janeiro de 1900, nasceu o irmão Luís Miguel e em 1901 Fernando passou com distinção no exame Cape School Highter Certificate. Nesse mesmo ano morreu sua irmã Madalena Henriqueta, e mais uma vez na vida do futuro poeta, criou-lhe uma profunda infelicidade.
Em Agosto de 1901, a família resolveu ir de férias para Portugal, levaram o corpo da irmã morta para ser sepultada em Portugal.
Existem poesias de Pessoa deste período, escritas em inglês, e pelo menos uma delas menciona o gradeamento de madeira da quinta, que aparece numa fotografia. A história de Fernando Pessoa, apesar de ele nunca ter apreciado ser fotografado, também vai buscar informações com algum interesse à documentação fotográfica.
Na Primavera foram aos Açores, a terra de sua mãe, ficaram hospedados na casa da irmã da mãe, a Tia Anica.
Fernando e seu primo Mário decidiram fazer um Jornal- A Palavra. Num dos seus números, o director tem o nome de Dr. Pancrácio, sendo redactor seu primo Mário Nogueira de Freitas, é curioso o facto de mais tarde este primo vir a convidar Pessoa em 1920 para trabalhar na sua Firma Felix, Valladas & Freitas Lda. A relação de amizade entre os dois foi sempre muito grande. Foi aí que Pessoa viria a conhecer a sua namorada Ofélia.
O jornal inclui uma secção de charadas, notícias da actualidade e poemas assinados por alguns pseudónimos do jovem poeta.
Através das pesquizas efectuadas na Biblioteca Nacional pela Prof. Doutora Teresa Rita Lopes ficámos a saber que existiam vários jornais com o título O Palrador. Pela sequência de numeração, concluímos que o jovem Fernando Pessoa, desdobrando-se em vários colaboradores, com nomes diversos, deu corpo a esta iniciativa entre 1902 e 1905. A criatividade jornalística que dedicou em Angra ao jornal A Palavra e ao jornal O Parlador, iniciando em Lisboa e continuando em Durban, mostram bem que o modo de ser vários, que o acompanhou até ao fim da vida, começou muito cedo na mente da criança criativa.
Fernando escreveu a poesia « Quando ela passa», incluíndo-a no jornal A Palavra. E em 7 de Abril de 1902, dedicou novamente uns versos à mãe com o título «Ave Maria».
A família permaneceu pouco tempo nos Açores, pois Madalena estada com uma epidemia de meningite. Regressaram a Lisboa, de seguida em Junho de 1902 voltaram ao Natal. Em Durban, nasceu o seu irmão João Maria, a 17 de Janeiro de 1903.
A irmão Teca contava que, quando brincava em criança com Fernando, em Durban, este costumava criar várias personagens: o Quebranto Oessus, o Capitão Thibeaut e o já referido Chavalier de Pas. Ela até foi dominada por um tempo, por o Tenente um oficial francês. Um dos episódios que Teca contava mais tarde a sues filhos relacionava-se com uma partida que o irmão encenou numa noite em que os pais foram jantar fora. « O Fernando estava semrpe com ideias diferentes e, nessa noite, lembrou-se de pregar uma partida aos empregados que jantavam numa copa da casa em Durban. Pintou as nossas caras de preto deixando uma rodela branca à volta dos olhos, enfio-nos uns carapuços que n+os próprios fizemos de trapos brancos, reteriou duma gaveta lençóis e, assim mascarrados, subimos num escadote a uma bandeira de vidros que estava por cima da porta e que dava para a copa. Ofernando fechou o quadro de electrecidade e nós apontámos com uma lanterna para as nossas caras. É evidente que os empregados daquela época, gente africana muito simples e ingénua, desataram aos berros e fugiram porta fora. QUando os meus pais chegaram estávamos metidos nas nossas camas fingindo dormir. Penso que o Fernando nunca julgou que eles tivessem tido a reacção de fugir definitivamente. Sei que teve de acabar por explicar o sucedido, enquanto nós ( o Luís, o João e eu) muito encolhidos e um pouco assustados, não parávamos de rir. Este episódio e as pequenas peças que escrevia para nós representarmos fazem parte das minhas recordações».

Durante o ano de 1903, Pessoa preparou-se para o exame de admissão à Universidade do Cabo, enquanto tirava, à noite, um curso comercial. Quando fez o referido exame, ganou o Queen Victoria Prize no fim do ano pelo melhor estilo em Inglês no ensaio que escreveu. Havia 899 candidatos. Oprémio, instituído por uma família judia de África do Sul, podia ser em dinheiro (libras), ou em volumes de clássicos da língua inglesa, Fernando optou pelos livros.
Os anos passados em Durban, apesar da morte de sua irmã, foram certamente os melhores da sua vida, pois vivia com a sua familia um ambiente de amor e concórdia com os irmãos, mãe e até com o padrasto a quem chamava pai, tinham um com nível social e uma vida desafogada, o que talvez também tivesse contribuído para que tivesse tido interesse em mergulhar na leitura, que era o seu maior prazer: lia Byron, Shakespeare, Whitman, Keats, Shelley, Platão e Aristóteles, autores franceses como Voltaire, Victor Hugo, Mallarmé e Molière, bem como os autores portugueses. Em adulto, confessaria a um amigo que os Pickwick Papers, de Charles Dickens, tinha sido uma das mais importantes leituras da sua juventude. A sua biblioteca estava guardada na casa de sua irmã Teca, encontra-se hoje na Casa Ferando Pessoa existindo só alguns livros em casa da família.
Em Agosto de 1904 nasceu outra irmã, Maria Clara, e no mês de Dezembro desse ano, Fernando fez o Intermediate Examination in Arts na Universidade do Cabo, terminando assim a sua vida escola em África. Em Agosot de 1905, regressou a Portugal no navio Herzog. As viagens marítimas, algumas revestidas de algum dramatismo, contribuíram para despoletar no jovem uma diversificada força criativa. Sem dúvida a «Ode Marítima», escrita muitos anos depois e assinada pelo heterónimo Álvaro de Campos, nelas se inspirou. Estas seriam as suas únicas viagens fora da Pátria, pois não mais viajaria por mar e, por terra, apenas o faria em Portugal.
Existem no seu espólio estudos que fez sobre os mais variados assuntos. Ainda existem algumas folhas rabiscadas com os nomes dos irmãos, nas quais o jovem Fernando Pessoa pretendeu registar as relevâncias do crânio de cada um deles e o significado das linhas da mão. Ainda adolescente, gostava de aprofundar os conhecimentos adquiridos na escola, bem como outros alheios aos programas escolares : leituras de diferentes tendências religiosas, priviligiando a astrologia e as ciências ocultas. Seus irmãos, recordavam, mais tarde, depois de sua morte, algumas atitudes que não eram vulgares noutros rapazes da sua idade. «Evidentemente que passava muitas horas a ler e gostava de se isolar. Não tinha interesse por jogos ao ar livre, tão usuais nas escolas inglesas» dizia a irmã Teca.
Os horários a que esteve submetido enquanto jovem e que, de certo modo, o limitavam para outros interesses, levaram-no a banir os horários rígidos da sua vida adulta, como se verá na biografia adulta, quando esta for publicada.








As informações deste texto, bem como algumas frases foram retiradas do livro « Fernando Pessoa, imagens de uma vida» publicado pela sua sobrinha, Manuela Nogueira
publicado por busybee às 19:45
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