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Segunda-feira, 22 de Agosto de 2005

Trecho 256 do Livro do Desassossego, Bernardo Soares

Tive sempre um repugnância quase física pelas coisas secretas - intrigas, diplomacia, sociedades secretas, ocultismo. Sobretudo me incomodaram sempre estas duas últimas coisas - a pretensão, que têm certos homens, de entre eles, por entendimentos com Deuses ou Mestres ou Demiurgos, sabem - lá entre eles, exclusos todos nós outros - os grandes segredos que são os caboucos do mundo. Não posso crer que isso seja assim, Posso crer que álguém o julguw assim. Por que não estará essa gente toda doida, ou iludida? Por serem vários? Mas há alucinações colectivas. O que sobretudo me impressiona, nesses mestres e sabedores do ínvisivel, é que, quando escrevem para nos contar ou sugerir os seus mistérios, escrevem todos mal. Ofende-me o entendimento que um homem seja capaz de dominar a língua portuguesa. Por que há o comércio com os demónios de ser mais fácil que comércio com a gramática? Quem, através de longos exercícios de atenção e de vontade, consegue, conforme diz, ter visões astrais, por que não pode, com menor dispêndio de uma coisa e de outra, ter visão de sintaxe? Que há no dogma e ritual da alta magia que impeça alguém de escrever, já não digo com clareza. pois pode ser que a obscuridade seja da lei oculta, mas ao menos com elegância e fluidez, pois no estudo da linguagem dos deuses, e não já-de sobrar um reles bocado com que se estude a cor e o ritmo da linguagem dos homens? Desconfio dos mestres que o não podem ser primários. São para mim como aqueles poetas estranhos que são incapazes de escrever como os outros. Aceito que sejam estranhos; gostara, porém, que me provassem que o são por superioridade ao normal e não por impotência dele. Dizem que há grandes matemáticos que erram adições simples; mas aqui a comparação não é com errar, mas com desconhecer. Aceito que um grande matemático some dois e dois para dar cinco: é um acto de distracção, e a todos nós pode suceder. O que não aceito é que não saiba o que é somar, ou como se soma. E é este cado os mestres do oculto, na sua formidável maioria. (Comentário da autora do blog: Acho que este trecho não se aplica somente aos mestres do oculto mas a muitas outras pessoas, que só sabem aquilo que fazem, mas não sabem porque o fazem e que utilidade terá, acontece-nos muitas vezes encontrar pessoas assim, a mim acontece-me com mais frequência encontrar essa espécie de defeito nos professores...sobretudo os de matemática...para quem o pensamento e tudo tem de ter lógica.)
publicado por busybee às 15:00
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