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Sexta-feira, 31 de Dezembro de 2004

Marcha Fúnebre, pág.444 Livro do Desassossego, Bernardo Soares

Somos todos mortais com uma duração justa.Nunca maior ou menor. Alguns morrem logo que morrem, outros vivem um pouco, na memória dos que viram e amaram; outros, ficam na memória da nação que os teve; alguns alcançam a memória da cinilização que os pussuiu; raros abragem, de lado a lado, o lapso contrário de civilizações diferentes. Mas a todos cerca o abismo do tempo, que por fim os some, a todos come a fome do abismo, que []
publicado por busybee às 20:04
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Quarta-feira, 29 de Dezembro de 2004

Fernando Pessoa


Navegue, descubra tesouros, mas não os tire do fundo do mar, o lugar deles é lá.
Admire a lua, sonhe com ela, mas não queira trazê-la para a terra.
Curta o sol, se deixe acariciar por ele, mas lembre-se que o seu calor é para todos.
Sonhe com as estrelas, apenas sonhe, elas só podem brilhar no céu.
Não tente deter o vento, ele precisa correr por toda parte, ele tem pressa de chegar sabe-se lá onde.
Não apare a chuva, ela quer cair e molhar muitos rostos, não pode molhar só o seu.
As lágrimas? Não as seque, elas precisam correr na minha, na sua, em todas as faces.
O sorriso! Esse você deve segurar, não o deixe ir embora, agarre-o!
Quem você ama? Guarde dentro de um porta-jóias, tranque, perca a chave!
Quem você ama é a maior jóia que você possui, a mais valiosa.
Não importa se a estação do ano muda, se o século vira e se o milênio é outro, se a idade aumenta; conserve a vontade de viver, pois não se chega a parte alguma sem ela.
Abra todas as janelas que encontrar e as portas também.
Persiga um sonho, mas não o deixe viver sozinho.
Alimente sua alma com amor, cure suas feridas com carinho.
Descubra-se todos os dias, deixe-se levar pelas vontades, mas não enlouqueça por elas. Procure, sempre procure o fim de uma história, seja ela qual for.
Dê um sorriso para quem esqueceu como se faz isso.
Acelere seus pensamentos, mas não permita que eles te consumam.
Olhe para o lado, alguém precisa de você.
Abasteça seu coração de fé, não a perca nunca.
Mergulhe de cabeça nos seus desejos e satisfaça-os.
Agonize de dor por um amigo, só saia dessa agonia se conseguir tirá-lo também.
Procure os seus caminhos, mas não magoe ninguém nessa procura.
Arrependa-se, volte atrás, peça perdão!
Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudade, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se achá-lo, segure-o!
"Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala. O mais é nada".
publicado por busybee às 15:47
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Terça-feira, 28 de Dezembro de 2004

Fernando Pessoa por Almada Negreiros

pessoanegreiros.jpg
publicado por busybee às 12:33
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POEMA EM LINHA RETA, Álvaro de Campos


Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...


Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.


Álvaro de Campos

publicado por busybee às 12:19
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101. Livro do desassossego, Bernardo Soares

Se a nossa vida fosse um etero estar-à-janela, se assim ficássemos, como um fumo parado, sempre, tendo sempre o mesmo momento de crepúsculo dolorindo a curva dos montes. Se assim ficássemos para além de sempre!Se ao menos, aquém da impossibilidade, assim pudéssemos quedar-nos, sem que cometêssemos uma acção, sem que os nossos lábios pálidos pecassem mais palavras! Olha como vai escurecendo!... O sossego positivo de tudo enche-me de raiva, de qualquer coisa que é o travo no sabor da aspiração. Dói-me a alma...Um traço lento de fumo ergue-se e dispersa-se lá longe... Um tédio inquieto faz-me não pensar mais em ti... Tão supérfluo tudo! Nós e o mundo e o mistério de ambos.
publicado por busybee às 12:14
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Quinta-feira, 23 de Dezembro de 2004

continuação da nota biográfica sobre Fernando Pessoa 2ªparte de 2

....
Ideologia política:Considera que o sistema monárquico seria o mais próprio para uma nação organicamente imperial como é Portugal. Considera ao mesmo tempo, a monarquia completamente inviável em Portugal. Por isso, a haver um plebiscito entreregimes votaria, embora com pena na República. Consevador de estilo Inglês, isto é, liberal dentro do conservantismo, e absolutamente anti-reaccionário.
Posição religiosa:Cristão gnóstico, e portanto inteiramente oposto a todas as igrejas organizadas, e sobretudo à igreja de Roma.Fiel, por motivos que mais adiante estão implícitos, à tradição secreta em Israel (a Santa Kabbalah e com a essência oculta da maçonaria.
Posição iniciática:----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Posição patriótica:Partidário de um nacionalismo místico, de onde seja abolida toda a infiltração católica-romana, criando-se, se possível for, um sebastianismo novo, que a substitua espiritualmente, se é que catolicismo português houve alguma vez espiritualidade. Nacionalista que se guia por este lema:«Tudo pela humanidade; nada contra a nação.»
Posição social: Anticomunista e anti-socialista. O mais deduz-se do que vai dito acima.
Resumo destas últimas considerações: Ter sempre na memória o mártir Jacques de Molay, grão-mestre dos templários, e combater, sempre e em toda a parte, os seus três assassimnos-a ignorância, o fanatismo e a tirania.
publicado por busybee às 18:39
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Quarta-feira, 22 de Dezembro de 2004

NOTA BIOGRÁFICA ESCRITA PELO PRÓPRIO ESCRITOR 1º parte de 2

Nome completo: Fernando António Nogueira Pessoa
Idade e naturalidade:Nasceu em Lisboa, freguesiados mártires, no prédio nº 4 do Lrgo de S.Carlos (hoje do directório), em 13 de junho de 1888.
Filiação: Filho legítimo de Joaquimde Seabra Pessoa e de D.Madalena Pinheiro Nogueira. Neto paterno do general Joaquim António Araújo Pessoa, combatente das campanhas liberais, e de D. Dionísia Seabra; neto materno do conselheiro Luís António Nogueira, jurisconsulto, e que foi director-geral do ministério do Reino, e de Madalena Xavier Pinheiro. Ascendência general-misto de fidalgos e Judeus.
Profissão: A designação mais própria será «tradutor», a mais exacta de « correspondente estrangeiro em casas comerciais».O ser poetae escritor não constitui profissão mas vocação.
Funções sociais que tem desempenhado:Se por isso se entende cargos públicos, ou funções de destaque, nenhumas.
Obras que tem publicado:A obra está essencialmente dispersa, por enquanto, por várias revistas e publicações. O que, de livros ou folhetos, considera como válido, é o seguinte: 35 Sonnets (em inglês), 1918; English Poems I-II e English poems III (em Inglês, também), 1922, o livro Mensagem, 1934, premiado pelo secretariado de Propaganda Nacional, na categoria «Poemas».
Educação:Em virtude do meu falecido pai em 1893, sua mãe ter casado, em 1895, em segundas núpcias, com o comandante João Miguel Rosa, cônsul de Portugal em Durban, Natal, foi ali educado.Ganhou o prémio Rainha Victória de estilo Inglês na Universidade do Cabo da Boa Esperança em 1903, no exame de admissão, aos 15 anos
publicado por busybee às 15:14
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Ricardo Reis

RICARDO REIS - POESIA

“Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De arvores alheias.
A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Eguaes a nós-próprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dôr nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ella nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos Deuses.

Mas serenamente
Imita o Olympo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.”

1 - 07 - 1916



“Não consentem os deuses mais que a vida.
Tudo pois refusemos, que nos alce
A irrespiráveis pincaros,
Perennes sem ter flores.
Só de acceitar tenhamos a sciencia,
E, emquanto bate o sangue em nossas fontes,
Nem se engelha comnosco
O mesmo amor, duremos,
Como vidros, ás luzes transparentes
E deixando escorrer a chuva triste,
Só mornos ao sol quente,
E reflectindo um pouco.”

17 - 07 - 1914



“Vivem em nós innumeros;
Se penso ou sinto, ignoro
Quem é que pensa ou sente.
Sou sòmente o logar
Onde se sente ou pensa.

Tenho mais almas que uma.
Há mais eus do que eu mesmo.
Existo todavia
Indifferente a todos.
Faço-os callar: eu fallo.

Os impulsos cruzados
Do que sinto ou não sinto
Disputam em quem sou.
Ignoro-os. Nada dictam
A quem me sei: eu escrevo.”

13 - 11 - 1935

publicado por busybee às 14:33
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...

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publicado por busybee às 14:30
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"Fernado Pessoa não existe, propriamente falando" Álvaro de Campos

publicado por busybee às 14:20
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