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Quinta-feira, 31 de Março de 2005

Espero que todos os visitantes gostem deste blog, que dedico a uma das maiores personalidades do séc. XX, TeresaFanico, abusybee

publicado por busybee às 21:41
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Alberto Caeiro

O que penso eu do Mundo?
Sei lá o que penso eu do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso (...)
publicado por busybee às 20:37
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Alberto Caeiro

Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é uma ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho
publicado por busybee às 20:35
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Álvaro de campos

Mutipliquei-me, para me sentir, Para me sentir, precisei de sentir tudo.(...)E há a cada canto da minha alma um altar a um deus diferente"
publicado por busybee às 20:23
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trecho 115 Livro do Desassossego, Bernardo Soares

A persistência instintiva da vida da aparência da inteligência é para mim uma das contemplações mais íntimas e mais constantes. O disfarce ireal da consciência serve somente para me destacar aquela consciência que não disfarça. Da nascença à morte, o homem vive servo da mesma exterioridade de si mesmo que têm os animais. Toda a vida não vive, mas vegeta em maior grau e com mais complexidade. Guia-se por normas que não sabe que existem, nem que por elas se guia, e as suas ideias, os seus sentimentos, os seus actos, são todos inconscientes - não porque neles fale a consciência, mas porque neles não há duas consciências. Vislumbres de ter a ilusão - tanto, e não mais, tem o maior dos homens. Sigo, num pensamento de divagação, a história vulgar das vidas vulgares. Vejo como em tudo são servos do temperamento subconsciente, das circunstâncias externas alheias, dos impulsos de convívio e desconvívio que nele, por ele e com ele se chocam como pouca coisa. Quantas vezes os tenho ouvido dizer a mesma frase que simboliza todo o absurdo, todo o nada, toda a inscência falada das suas vidas. É aquela frase que usam de qualquer prazer material: « é o que a gente leva desta vida» ... Leva onde? leva para onde? leva para quê? Seria triste despertá-los da sombra com uma pergunta como esta...Fala assim um materialista, porque todo o homem que fala assimé, ainda que subconscientemente, materialista. O que é que ele pensa levar da vida, e de que maneira? Para onde leva as costelas de porco e o vinho tinto e a rapariga casual? Para o céu em que não crê? Para que terra para onde não leva senão a podridão que toda a sua vida foi de latente? Não conheço frase mais trágica nem mais plenemente reveladora da humanidade humana. Assim diriam as plantas se soubessem conhecer que gozam do sol. Assim diriam dos seus prazeres sonâmbulos os bichos inferiores ao homem na expressão de si mesmos. E, quem sabe, eu falo, se, ao escrever estas palavras numa vaga impressão de que poderão durar, não acho também que a memória de as ter escrito é o que eu «levo desta vida». E, como o inútil cadáver do vulgar à terra comum, baixa ao esquecimento comum o cadáver igualmente inútil da minha prosa feita a atender. As costelas de porco, o vinho, a rapariga de outro? para que troço eu deles? Irmãos na comum consciência, modos diferentes do mesmo sangue, formas diversas da mesma herança- qual de nós poderá renegar o outro? Renega-se a mulher mas não a mãe, não o pai, não o irmão.
publicado por busybee às 19:59
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Domingo, 27 de Março de 2005

trecho 115, Livro do desassossego, Bernardo Soares

no rossio.jpg Tenho opiniões mais desencontradas, as crenças mais diversas. é que nunca penso, nem falo, nem ajo ... Pensa, fala, age por mim sempre um sonho qualquer meu, em que me encarno de momento. Vou a falar e falo eu-outro. De meu, só sinto uma incapacidade enorme, um vácuo imenso, uma incompetência ante tudo quanto é vida. Não sei os gestos a acto nenhum real[] Nunca aprendi a existir. Tudo que quero consigo, logo que seja dentro de mim. Quero que a leitura deste livro vos deixe a impressão de terdes atravessado um pesadelo voluptuoso. O que antes era moral, é estético hoje para nós...O que era social é hoje individual... Para quê olhar para os crepúsculos se tenho em mim milhares de crepúsculos diversos - alguns dos quais que o não são - e se, além de os olhar dentro de mim, eu próprio os sou, por dentro?!
publicado por busybee às 22:53
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parte do trecho 214 do Livro do Desassossego, Bernardo Soares

Outras vezes encontro trechos que não me lembro de ter escrito - o que é pouco para pasmar -, mas que nem me lembro de poder ter escrito- o que me apavora. Certas frases são de outra mentalidade. É como se encontrasse um retrato antigo, sem dúvida meu, com uma estatura diferente, com umas feições incógnitas - mas indiscutivelmente meu, pavorosamente eu.
publicado por busybee às 22:35
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Sexta-feira, 18 de Março de 2005

trecho 460 Livro do desassossego Bernardo Soares

Quanto mais alta a sensibilidade, e mais subtil a capacidade de sentir, tanto mais absurdamente vibra e estremece com as pequenas coisas. É precisa uma prodigiosa inteligência para ter angústia ante um dia escuro. A humanidade, que é pouco sensível, não se angustia com o tempo, porque faz sempre tempo, não sente a chuva senão quando lhe cai em cima. O dia baço e mole escalda humidamente. Sozinho no escritório, passo em revista a minha vida, e o que vejo nela é como o dia que me oprime e me aflige. Vejo-me criança contente de nada, adolescente aspirando a tudo, viril sem alegria nem aspiração. E tudo isto se passou na moleza e no embaciado, como o dia que no faz ver ou lembrar. Qual de nós pode, voltando-se no caminho onde não há regresso, dizer que o seguiu como o devia ter seguido?
publicado por busybee às 19:46
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Terça-feira, 15 de Março de 2005

trecho 94 Livro do Desassossego, Bernardo Soares

Viver é ser outro. Nem sentir é possível se hoje se sente como ontem se sentiu: Sentir hoje o mesmo que ontem não é sentir -é lembrar hoje o que se sentiu ontem, ser hoje o cadáver vivo do que ontem foi a vida perfeita. Apagar tudo do quadro de um dia para outro, ser novo com cada nova madrugada, numa revirgindade perpétua de emoção - isto, e só isto, vale a pena ser ou ter, para ser ou ter o que imperfeitamente somos. Esta madrugada é a primeira do mundo. Nunca esta cor rosa amarelecendo para branco quente pousou assim na fase com que a casaria de oeste encara cheia de olhos vidrados o silêncio que vem na luz crescente. Nunca houve esta hora, nem esta luz, nem este meu ser. Amanhã o que for será outra coisa, e o que eu vir será visto por olhos recompostos, cheios de uma nova visão. Altos montes da cidade! Grandes arquitecturas que as encostas íngremes seguram e engrandecem, resvalamentos de edíficios diversamente amontoados, que a luz tece de sombras e queimações - sois hoje, sois eu, porque vos vejo, sois o que (o que serei?) amanha, e amo/vos de amurada como um navio que passa por outro navio e ha saudades desconhecidas na passagem.
publicado por busybee às 11:14
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Sexta-feira, 11 de Março de 2005

trecho 110 Livro do Desassossego, Bernardo Soares

foto por v braga.jpg Quando durmo muitos sonhos, venho para a rua, de olhos abertos, ainda com o rastro e a segurança deles. E pasmo do autonomismo meu com que os outros me desconhecem. Porque atravesso a vida quotidiana sem largar a mão da ama astral, e os meus passos na rua vão concordes e consoantes com obscuros desígnios da imaginação de dormir. E na rua vou certo; não cambaleio; respondo bem; existo. Mas, quando há um intervalo, e não tenho que vigiar o curso da minha marcha, para evitar veículos ou não estorvar os peões, quando não tenho que falar a alguém, nem me pesa a entrada para uma entrada próxima, largo-me de novo nas águas do sonho, como um barco de papel dobrado em bicos, e de novo regresso à ilusão mortiça que me acaletara a vaga consciência da manhã nascendo entre o som dos carros que hortaliçam. E então, em plena vida, é que o sonho tem grandes cinemas. Desço uma rua irreal da Baixa e a realidade das vidas que não são ata-me, com carinho, a cabeça num trapo branco de reminiscências falsas. Sou navegador num desconhecimento de mim. Venci tudo onde nunca estive. E é uma brisa nova esta sonolência com que posso andar, curvado para a frente numa marcha sobre o impossível. Cada qual tem o seu álcool. Tenho álcool bastante em existir. Bêbado de me sentir, vagueio e ando certo. Se são horas, recolho ao escritório como qualquer outro. Se não são horas, vou até ao rio fitar o rio, como qualquer outro. Sou igual. E por detrás de isso, céu meu, constelo-me às escondidas e tenho o meu infinito.
publicado por busybee às 18:45
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