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Sábado, 30 de Abril de 2005

A criança que eu fui chora na estrada


A criança que eu fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.

Ah, como hei-de encontrá-lo? Quem errou
A vinda tem a regressão errada.
Já não sei de onde vim nem onde estou.
De o não saber, minha alma está parada.

Se ao menos atingir neste lugar
Um alto monte, de onde possa enfim
O que esqueci, olhando-o, relembrar,

Na ausência, ao menos, saberei de mim,
E, ao ver-me tal qual fui ao longe, achar
Em mim um pouco de quando era assim.
publicado por busybee às 23:46
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Quarta-feira, 27 de Abril de 2005

Alberto Caeiro (poema)

Se eu morrer novo,
sem poder publicar livro nenhum,
Sem ver a cara que têm os meus versos em letra impressa,
Peço que, se se quiserem ralar por minha causa,
QUe não se ralem.
Se assim aconteceu, assim está certo.

Mesmo que os meus versos nunca forem impressos,
Eles lá terão a sua beleza, se forem belos.
Mas eles não podem ser belos e ficarem por imprimir,
Porque as raízes podem estar debaixo da terra
Mas as flores florescem ao ar livre e à vista.
Tem que ser assim por força. Nada o pode impedir.

Seu eu morrer muito novo, oiçam isto:
Nunca fui senão uma criança que brincava.
Fui gentio como o sol e a água,
De uma religião universal que só os homens não têm.
Fui feliz porque nao pedi coisa nenhuma,
Nem procurei achar nada,
Nem achei que houvesse mais explicação
Que a palavra explicação não ter sentido nenhum.

Não desejei senão estar ao sol ou à chuva-
Ao sol quando havia sol
E à chuva quando estava chovendo
(E nunca a outra coisa),
Sentir calor e frio e vento,
E não ir mais longe.

Uma vez amei, julguei que me amariam,
Mas não fui amado.
Não fui amado pela única grande razão-
Porque não tinha que ser.

Consolei-me voltando ao sol ou à chuva,
E sentando-me outra vez à porta de casa.
Os campos, afinal, não são tão verdes para os que são amados
Como para os que o não são.
Sentir é estar distraído.
publicado por busybee às 21:13
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Sábado, 23 de Abril de 2005

Livro do Desassossego, Bernardo Soares, cópia duma carta para Pretória)

fernando-pessoa222222.JPG 5/6/1914 Eu tenho passado bem de saúde e o espírito tem estado curiosamente menos mal disposto. Ainda assim uma vaga inquietação anda a torturar-me, uma coisa a que eu não posso chamar senão uma comichão intelectual, como se eu fosse ter bexigas na alma. É só nesta linguagem absurda que eu lhe posso descrever o que sinto. Tudo isto, porém, não se aparenta propriamente com aqueles estados tristes de espiríto, de que às vezes lhe falo, e em queatristeza é caracterizadamente uma tristeza sem causa. Este meu estado de alma actual tem uma causa. Em torno de mim está-se tudo afastando e desmoronando. Não emprego estes dois verbos no sentido entristecedor. Quero apenas dizer que na gente com quem lido se estão dando, ou se vão dar, mudanças, acabares de períodos de vida, e que tudo isto - como a um velho que vê morrerem em seu redor os seus companheiros de infância, a sua morte parece próxima - me sugere não sei de que misteriosa maneira, que a minha deve, vai, mudar também. Repare que eu não creio que esta mudança vá ser para pior; creio o contrário. Mas é uma mudança, e para mim mudar, passar de uma coisa para outra, é uma morte parcial; morre qualquer coisa em nós, e a tristeza do que morre e do que passa não pode deixar de nos roçar pela alma. Veja: amanhã vai para - não a, mas para- Paris o meu maior e mais íntimo amigo. A tia Anica (veja a carta dela) não é improvével que vá breve para a Suíça com a filha, casada então. Vai para a Galiza, para lá estar bastante tempo, um outro rapaz muito meu amigo. Passa a viver no Porto um outro rapaz que é, depois do primeiro que lhe citei, o meu amigo mais próximo. Assim, em meu redor humano, tudo se reorganiza ( ou se desorganiza) de modo a ir-me, não sei se isolando, não sei se chamando para um novo caminho que não vejo. Mesmo a circunstância de eu ir publicar um livro vem alterar a minha vida. Perco uma coisa - o ser inédito. E assim mudar para melhor, porque mudar é mau, é sempre mudar para pior. E perder um defeito, ou uma deficiência, ou uma negação, sempre é perder. Imagine a Mamã como não viverá de dolorosas sensações quotidianas, uma criatura que sente desta maneira! Que serei eu daqui a dez anos - de aqui a cinco anos, mesmo? Os meus amigos dizem-me que eu serei um dos maiores poetas contemporânios - Dizem-no vendo o que eu tenho já feito, não o que poderei fazer ( senão eu não citava o que eles dizem...). Mas sei eu ao certo o que isso, mesmo que se realize, significa? Sei eu a que isso sabe? Talvez a glória saiba a morte e a inutilidade, e o triunfo cheire a podridão.
publicado por busybee às 20:16
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Quinta-feira, 21 de Abril de 2005

Não sei quantas almas tenho. Fernando Pessoa

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.

FERNANDO PESSOA (1888 - 1935)

publicado por busybee às 16:17
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Quarta-feira, 20 de Abril de 2005

Opinião sobre Pessoa de Ofélia Queirós- A namorada

O Fernando, em geral, era muito alegre. Ria como uma criança, e achava muita graça às coisas. Dizia, por exemplo «ouvistaste?» em vez de «ouviste». Quando saía para engraxar os sapatos, dizia-me: «-Eu já venho, vou lavar os pés por fora». Um dia mandou-me um bilhetinho assim: « O meu amor é pequenino, tem calcinhas cor-de-rosa» Eu li aquilo e fiquei indignada. Quando saímos, disse-lhe zangada: « Ó Fernando, como é que você sabe que eu tenho calcinhas cor-de-rosa ou não, você nunca viu...» (tanto nos tratávamos por tu como por você). E ele respondeu-me assim a rir: « Não te zangues, Bebé, é que todas as bebés pequeninas têm calcinhas cor-de-rosa...»

[...]
Vivia muito isolado, como se sabe. Muitas vezes não tinha quem o tratasse, e queixava-se-me. Estava realmente muito apaixonado por mim, posso dizê-lo, e tinha uma necessidade enorme da minha companhia, da minha presença. Dizia-me numa carta: «...não imaginas as saudades que de ti sinto nestas ocasiões de doença, de abatimento e de tristeza...» E mostra-o bem, nesta quadra que me fez:

Quando passo um dia inteiro
Sem ver o meu amorzinho
Cobre-me um frio de Janeiro
No junho do meu carinho

Em Maio de 1920, a Carris entrou em greve por uns dias, e passámos a fazer o percurso de comboio.
Para que o meu pai não soubesse que eu saía com o Fernando, ele apanhava o comboio do Cais do Sodré e eu em Santos. Assim conversávamos até Belém. Não digo «namorávamos», porque o Fernando não gostava, conforme já contei.
Quando acabou a greve, ia buscar-me, à tarde, como de costume e vínhamos de eléctrico para casa, mas como ele achava que o trajecto não era suficientemente longo, dizia a brincar: « E se fingissemos que nos enganávamos e nos metêssemos num carro para o Poço do Bispo?»
[...]
O Fernando era uma pessoa muito especial. Toda a sua maneira de ser, de sentir, de se vestir até, era especial. Mas eu talvez não desse por isso, nessa altura, talvez porque estava apaixonada. A sua sensibilidade, a sua ternura, a sua timidez, as suas excentricidades, no fundo, encantavam-me.
Por exemplo, o Fernando era um pouco confuso, principalmente quando se apresentava como Álvaro de Campos. Dizia-me então: «Hoje não fui eu que vim, foi o meu amigo Álvaro de Campos »...Portava-se, nestas alturas, de uma maneira totalmente diferente. Destrambelhado, dizendo coisas sem nexo. Um dia, quando chegou ao pé de mim, disse-me: «Trago uma incumbência, minha senhora, é a de deitar a fisionomia abjecta desse Fernando Pessoa, de cabeça para baixo, num balde cheio de água. » E eu respondia-lhe: "Detesto esse Álvaro de Campos. Só gosto de Fernando Pessoa.» « Não sei porquê», respondeu-me, «olha que ele gosta muito de ti.»
Raramente falava no Caeiro, no Reis ou no Soares.

O Fernando, principalmente quando se encontrava abatido, não acreditava que eu pudesse gostar nele:« Se não podes gostar de mim a valer, finge, mas finge tão bem que eu não perceba.» Ou, então como nesta quadra:

Omeu amor já não me quer
Já me esquece e me desama
Tão pouco tempo a mulher
Leva a prova que não ama

Um dia, ao passarmos na calçada da Estrela, disse-me :«O teu amor por mim é tão grande, como aquela árvore.» Eu fingi que não percebi. «Mas não está ali árvore nenhuma...»«Por isso mesmo» respondeu-me ele. Outra vez disse-me : «Chega a ser uma caridade cristã tu gostares de mim. És tão nova e engraçadinha, e eu tão velho e tão feio.»
[...]
O Fernando era extremamente reservado. Falava muito pouco da sua vida íntima; não tinha sequer o que se chama um amigo íntimo (nesta altura já tinha morrido o Sá-Carneiro, e há até uma carta em que me diz:«Não há quem saiba se eu gosto de ti ou não, porque eu não fiz de ninguém confidente sobre o assunto.»

Com quem ele se dava muito na altura, e a casa de quem ia até jantar uma vez por semana, era o Lobo d´Ávila, que vivia na Praça do Rio de Janeiro, hoje Príncipe Real. De resto, eram só amigos do café.

Há uma frase de Fernando, há várias até, que monstram bem como ele era reservado. «Sinto preciso ocultar o meu íntimo aos olhares.»«Não quero que ninguém saiba o que sinto.» E ainda esta outra : «O Fernando Pessoa sente as coisas mas não se mexe, nem mesmo por dentro.»

O «namoro» durou assim até Novembro de 1920. A sua última carta data de 29 desse mês. Aos poucos, ele foi-se afastando, até que deixámos completamente de nos ver. E isto sem qualquer razão concreta. Ele [...]
[...]
Passaram-se nove anos.
Um dia, o meu sobrinho Carlos Queirós trouxe para casa aquele famoso retrato do Fernando a beber vinho no Abel Pereira da Fonseca (tirado pelo Manuel Martins da Hora) [foto publicada em Dezembro dia 21, poema Guardador de rebanhos]. Trazia uma dedicatória: «Carlos: isto sou eu no Abel, isto é, próximo já do Paraíso Terrestre, aliás perdido. Fernando. Dia 2/9/29» Achei muita graça, como é natural, e disse ao meu sobrinho que gostava de ter uma para mim. O Carlos disse-lhe, e passado pouco tempo ele enviou-me uma fotografia igual com esta dedicatória: « Fernando Pessoa em flagrante delitro.»
Escrevi-lhe a agradecer e ele respondeu-me. Recomeçámos então o «namoro». Isto em 1929. Eu já não trabalhava nessa altura e continuava a viver em casa de minha irmã no Rossio.
O Fernando estava diferente. Não só fisicamente, pois tinha engordado bastante, mas, e principalmente, na sua maneira de ser. Sempre nervoso, vivia obcecado com a sua obra. Muitas vezes dizia que tinha medo de não me fazer feliz, devido ao tempo que tinha de dedicar a essa obra. Disse-me um dia : «Durmo pouco e com um papel e uma caneta à cabeceira. Acordo durante a noite e escrevo, tenho que escrever, e é uma maçada porque depois o Bebé não pode dormir descansado.» Ao mesmo tempo receava não poder dar-me o mesmo nível de vida a que eu estava habituada. Ele não queria ir trabalhar todos os dias, porque queria dias só para si, para a sua vida, que era a sua obra. Vivia com o essencial. Todo o resto lhe era indiferente. Não era um ambicioso nem vaidoso. Era simples e leal.
Dizia-me: «Nunca digas a ninguém que sou poeta. Quanto muito, faço versos.»
publicado por busybee às 22:16
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trecho 428 Livro do Desassossego, Bernardo Soares- ESTÉTICA DA INDIFERENÇA

Perante cada coisa o que o sonhador deve procurar sentir é a nítida indiferença que ela, no que coisa, lhe causa. Saber, com um imediato instinto, abstrair de cada objecto ou acontecimento o que ele pode ter de sonhável, deixando morto no Mundo exterior tudo quanto ele tem de real - eis o que o sábio deve procurar realizar em si próprio. Nunca sentir sinceramente os seus próprios sentimentos, e elevar o seu pálido triunfo ao ponto de olhar indiferentemente para as suas próprias ambições, ânsias e desejos; passar pelas suas alegrias e angústias como quem passa por quem não lhe interessa. O maior domínio de si próprio é a indiferença por si próprio, tendo-se, alma e corpo, por a casa e a quinta onde o Destino quis que passássemos a nossa vida. Tratar os seus próprios sonhos e íntimos desejos altivamente, en grand seigneur, pondo uma íntima delicadeza em não reparar neles. Ter o pudor de si próprio; perceber que na nossa presença não estamos sós, que somos testemunhas de nós mesmos, e que por isso importa agir perante nós mesmos como perante um estranho, com uma estudada e serena linha exterior, indiferente porque fidalga, e fria porque indiferente. Para não descermos as nossos próprios olhos, basta que nos habituemos a não ter nem ambições nem paixões, nem desejos nem esperanças, nem impulsos nem desassossegos.Para conseguir isto lembremo-nos sempre que estamos sempre em presença nossa, que nunca estamos sós, para que possamos estar à vontade. E assim dominaremos o ter paixões e ambições, porque paixões e ambições são desescudarmo-nos; não teremos desejos nem esperanças, porque desejos e esperanças são gestos baixos e deselegantes; nem teremos impulsos e desassossegos porque a precipitação é uma indelicadeza para com os olhos dos outros, e a impaciência é sempre uma grosseria. O aristocrata é aquele que nunca esquece que nunca está só; por isso as praxes e os protocolos são apanágio das aristocracias. Interiozemos o aristocrata. Arranquemo-lo aos salões e aos jardins passando-o para a nossa alma e para a nossa consciência de existirmos. Estejamos sempre diante de nós em protocolos e praxes, em gestos estudados e para-os-outros. Cada um de nós é uma sociedade inteira, um bairro todo do Mistério, convém que ao menos tornemos elegante e distinta a vida desse bairro, que nas festas das nossas sensações haja requinte e recato, e porque sóbria a cortesia ds banquetes dos nossos pensamentos. Em torno a nós poderão as outras almas erguerem-se os seus bairros sujos e pobres; marquemos nitidamente onde o nosso acaba e começa, e que desde a frontaria dos nossos prédios até às alcovas das nossas timidezes, tudo seja fidalgo e sereno, esculpido numa sobriedade ou surdina de exibição. Saber encontrar a cada sensação o modo sereno de ela se realizar. Fazer o amor reduzir-se apenas a uma sombra de ser sonho de amor, pálido e trémulo intervalo entre os cimos de duas pequenas ondas onde o luar bate. Tornar o desejo uma coisa inútil e inofensiva, no como que sorriso delicado da alma a sós consigo própria; fazer dela uma coisa que nunca pense em realizar-se nem em dizer-se. Ao ódio adormecê-lo como uma serpente prisioneira, e dizer ao medo que dos seus gestos guarde apenas a agonia do olhar, e no olhar da nossa alma, única atitude compatível com ser estética.
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Sexta-feira, 15 de Abril de 2005

Trecho 275, Livro do Desassossego, Bernardo Soares

O governo do mundo começa em nós mesmos. Não são os sinceros que governam o mundo, mas também não são os insiceros. São os que fabricam em sim uma sinceridade real por meios artificiais e automáticos; essa sinceridade constitui a sua força, e é ela que irradia para a sinceridade menos falsa dos outros. Saber iludir-se bem é a primeira qualidade do estadista. Só os poetas e aos filósofos compete a visão prática do mundo, porque só a esses é dado não ter ilusões. Ver claro é não agir.
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Trecho 275, Livro do Desassossego, Bernardo Soares

publicado por busybee às 21:07
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"Viver não é necessário, o que é necessário é criar"Fernando Pessoa

publicado por busybee às 19:47
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Segunda-feira, 11 de Abril de 2005

Trecho 471, Livro do Desassossego, Bernardo Soares

Desde que possamos considerar este mundo uma ilusão e um fantasma, poderemos considerar tudo que nos acontece como um sonho, coisa que fingiu ser porque dormíamos. E então nasce em nós uma indeferença subtil e profunda para com todos os disaires e desastres da vida. Os que morrem viraram a uma esquina por isso os deixámos de ver; os que sofrem passam perante nós, se sentimos, como um pesadelo, se pensarmos, como um devaneio ingrato. E o nosso próprio sofrimento não será mais que esse nada. Neste mundo dormimos sobre o lado esquerdo e ouvimos nos sonhos a existência opressa do coração. Mais nada...Um pouco de sol, um pouco de brisa, umas árvores que emolduram a distância, o desejo de ser feliz, a mágoa de os dias passarem, a ciência sempre incerta e a verdade sempre por descobrir... Mais nada, mais nada...Sim, mais nada...
publicado por busybee às 21:03
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