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Quarta-feira, 26 de Outubro de 2005

biografia de Pessoa-idade Adulta

Um homem com um torrente inesgotável de ideias e o choque de muitas emoções contidas, aliadas a uma inteligência e lucidez extraordinárias não se enquadraria num padrão de vida «normal». Assim, Fernando Pessoa, separado da família mais próxima pelas razões que citei nas biografias anteriores, deambulou pela cidade de Lisboa, sendo a casa das tias e das primas pontos de visita assídua, respeitando os aniversários e datas especiais, mas não o lar de que precisava. E precisaria ele de um lar com o significado corrente que esta palavra encerra?
Continuou a manter a correspondência com Pretória, mas muito espaçada. Em cartas à mãe guardadas no seu espólio íntimo, essa demora em escrever é por ele tristemente lastimada. A verdade é que os planos que para ele tinham traçado, o Curso Superior de Letras, ou a profissão de tradutor de uma grande editora, não se tinham concretizado. É natural que o poeta se sentisse um pouco em falta por não ter correspondido às expectativas dos pais.
Em Lisboa, conviveu com vários intelectuais, cuja lista seria demasiado longa para apresentar aqui. Nos livros da sua biblioteca surgem dedicatórias de muitos escritores e poetas, muitas delas elogiando o seu talento, e que reproduzimos neste trabalho. Comprova-se, deste modo, que embora Pessoa buscasse o isolamento de que necessitava, como qualquer criador, estava rodeado por muitos espíritos cultos da sua época e não vivía tão isolado como muitos biógrafos apontam.
Fez várias tentativas, muitas delas sem sucesso, para publicar em jornais ingleses a poesia escrita neste idioma. Por outro lado, colaborou intensamente em revistas literárias portuguesas.
A sede de conhecimento avassalava o poeta, levando-o a procurar aprofundar os mistérios ocultos. Apesar de se sentir, ao ler a mensagem, a presença do poder divino, Pessoa percorreu todos os caminhos que tinha ao seu dispor: a Cabala, a Maçonaria, os Templários, a Alquimia, os Rosa-cruz e até mesmo experiências mediúnicas.
É sabido que estes caminhos podem perturbar as pessoas mais sensíveis e este facto muitas vezes o atormentou, por nunca ter esquecido a sua velha e demente avó paterna, Dionísia de Seabra Pessoa. Esses medos, que perseguem, às vezes, os predispostos a indagações espirituais, levaram-no a confessar que se sentia perto da loucura. O facto é que a sua saúde física revelava uma certa debilidade. Nas cartas que a namorada Ofélia lhe escreveu, são referidos pequenos males de que ele sofria e que a preocupavam.
Durante vários anos, comeu em restaurantes, dormia pouco e bebia demais.
Diga-se, no entanto, que nunca os familiares e amigos o viram perturbado com o álcool.
Isto não quer dizer que os bagaços, tomados a meio da manhã ou da tarde, não lhe fossem prejudiciais. Não sendo propriamente um boémio, na verdadeira ecepção da palavra, era-o como regra de vida. Tinha preocupações éticas, morais, mas não de comportamento regular no seu quotidiano. Esta sua maneira de viver seria outra das preocupações de Ofélia e da sua irmã Teca, que o tratava como se fosse ele o irmão mais novo e precisado de amparo. A Tia Anica, irmã de sua mãe e que de certa maneira, a substiuía em Lisboa, também lhe mostrava muitas vezes a sua preocupação. Com Mário Nogueira de Freitas, filho desta tia e, portanto, seu primo direito, partilhava muitas aspirações e alguns segredos.
No entanto Fernando Pessoa nunca teve dificuldade em arranjar emprego, um emprego a seu modo, evidentemente: com horário livre e chave da porta para entrar e sair quando quisesse. Os horários rígidos tinham ficado para trás. O curso de comércio tirado na África do Sul, o domínio do francês e inglês e a vocação para a escrita davam-lhe um perfil adequado para correspondente comercial. Os patrões admiravam-se por ele raramente fazer uma minuta, dactilografando directamente o texto pretendido.

A sua versatilidade era tal que também fez trabalhos de publicidade. Na firma do seu amigo Manuel martins da Hora, apresentou um texto divertidissímo para publicitar uma tinta para automóveis, do qual o amigo disse dele: « Era activo e prático em tudo quanto fazia. E descobria rapidamente o melhor sentido das coisas, improvisava sobre qualquer tema, quer se tratasse de automóveis, de frigoríficos, de artigos de moda, fosse o que fosse, da forma mais sugestiva e atraente».
O seu objectivo cingia-se a ganahr o suficiente para sobreviver, nunca tendo ligado muita importância ao dinheiro. O que ganhava dava apenas para concretizar a sua «OBRA».
Quando a avó Dionísia faleceu, deizou-lhe um pequeno pecúlio que ele aplicou comprando uma impressora em Portalegre e montando uma gráfica, a Ibís, que pouco tempo durou. Afinal, isto passou-se quando Fernando Pessoa tinha 21 anos e ainda pouca experiência. Fernando Pessoa tinha pouca sorte no negócio, sempre que o tentou fazer, tudo acabou sem sucesso. Nas cartas da mãe, está patente uma constante preocupação por ele não ter um trabalho ao seu nível e razoávelmente remunerado.
Como é evidente, depois de ter atingido a notariedade, muitas pessoas que com ele privaram, fora da família, deram entrevistas a seu respeito. A opinião geral é de que era muito bem-educado, extremamente delicado com as pessoas mais humildes e de convívio fácil. Sabe-se, porém, que lançou através da sua escrita mensagens e críticas ferozes a situações políticas e religiosas. O humor estava muitas vezes presente nos seus poemas, ensaios e críticas.
Frequentava os cafés daquela Lisboa conturbada por governos sucessivos: a Brasileira do Chiado, Os Irmãos Unidos, o Martinho da Arcada, a Cervejaria Jansen, o Café Montanha, etc., onde se encontrava com vários intelectuais da época: Alfredo Pedro Guisado, Mário de Sá Carneiro, Armando Cortes- Rodrigues, quando este chegava dos Açores, Augusto Ferreira Gomes, Francisco Camelo, António Ferro, Luís de Montalvor, Costa Brochado, Almada Negreiros, Bourbon e Meneses e muitos outros. Este convívio suscitava troca de ideias, projectos, leituras de textos, histórias de humor e desencanto. A amizade com os primos Andrade Neves, Costa Freitas e Freitas da Costa, Mário e Maria Nogueira de Freitas, Raul Soares da Costa, os Silvanos e Horta e Costa, etc, era uma constante na sua vida. Não os deixava de congratular pelos seus aniversários.

No escritório de Moitinho de Almeida, e a pedido deste, fez uma frase para publicitar a Coca-Cola que na altura deu que falar:« Primeiro estranha-se depois entranha-se». Talvez ao fabricante esta frase não agradasse em absoluto porque a palavra «entranhar» pode ter uma conotação pouco saudável. O resultado foi que a Coca-Cola não foi representada pela firma Moitinho de Almeida! Mas a razão pode ter sido outra. Consta que Salazar não queria uma bebida que lembrasse a «coca»!

Fernando Pessoa conheceu Ofélia Queiroz quando esta procurou ( e obteve) um emprego como secretária na firma Feliz, Valladas e Freitas. Esse Freitas era o seu primo Mário Nogueira Freitas, que o convidara para trabalhar na empresa. Existe um pequeno bilhete de visita onde Ofélia escreveu um verso e que tem a data de Novembro de 1919. Este assunto foi trato no Livro Cartas de Amor de Ofélia a Fernando Pessoa .
O namoro começou em 1919/1920 e terminou no final deste mesmo ano, havendo depois uma segunda fase que se iniciou em 9 de Setembro de 1929, havendo cartas de Ofélia até Abril até Abril de 1931. Há ainda uma última carta desejando-lhe as Boas Festas em 1932. Ao ler esta correspondência mútua entende-se que o projecto de casamento não podia concretizar-se.
Quando Fernando Pessoa morreu, com apenas quarenta e sete anos de idade, Carlos Queiroz, sobrinho de Ofélia, publicou um pequeno livro intitulado Homenagem a Fernando Pessoa. A figura do poeta é enaltecida e especialmente compreendida por este homem de grande talento e discernimento que, como sobrinho de Ofélia Queiróz, privou com Fernado Pessoa.
Depois de seu padrasto morrer em Pretória, a família entulada regressou a Portugal, com Maria Madalena diminuída por ter tido um acidente vascular cerebral. Tinha havido uma greve nos Correios, em Lisboa, e a informação da data da chegada não chegou a tempo. Fernando Pessoa, que tinha alugado um andar na Rua Coelho da Rocha, em Lisboa, para aí viver com a família, não estava no cais à espera, como seria de esperar. A família via os passageiros saírem sem que Fernando aparecesse, ficando naturalemente alarmada. Finalmente, lá apareceu, acompanhado do primo Mário e com aspecto adoentado, pois estava com gripe. A casa não tinha os contadores a funcionar e a família foi acolhida na casa dos primos. António Silvano e a mulher, na Avenida Casal Ribeiro, nº37, que ainda existe e era uma moradia com jardim nas traseiras, onde brincaram e se divertiram, os jovens Teca, Luís e João. Mudaram-se em breve para a Rua Coelho da Rocha, nº16, onde está hoje a Casa Fernando Pessoa, que conserva pouco mais que a fachada primitiva.
Aí Fernando Pessoa retomou a vida de família, mas em condições tristes. Sua mãe era uma sombra do que fora nos tempos de Pretória. Em família, decidiram que, como muito sacrifício, o Luís e o João deveriam ir para Londres tirar cursos superiores, pois não dominavam suficientemente o português para se inscrever em Portugal. Partiram, assim, para um destino separado do resto da família.

A irmã Teca casou em Julho de 1923 e foi habitar com o marido para uma casa em Benfica, na Quinta dos Marechais, levando consigo a mãe, que precisava de cuidados constantes. O Fernando ficou novamente sozinho, embora com a irmã a residir na mesma cidade. Em 1924 nasceu a primeira filha do casal, Maria Leonor, que viria a morrer no verão do ano seguinte. No mesmo ano morreram também a mãe do poeta e o tio General Henrique Roza. A família, devido a tantos desgostos sofridos na casa de Benfica, mudou-se para a rua Coelho da Rocha, onde Fernando Morava.
Pessoa era uma companhia interessante. Contava o que acontecia nos meandros da vida intelectual e no fim da refeição, à hora do café, lia os poemas que na noite anterior, exaltado e fecril, escrevera. A Teca e o chunhado, Francisco, ouviam e, certamente um pouco atónitos, aplaudiam-no. A frase da irmã era quase sempre a mesma:«Oh Fernando! Tu tens de publicar».

Há sempre, no entanto, um vazio que se cava entre os que escrevem e os que privam da sua intimidade. Só o enaltecimento público dá o verdadeiro reconhecimento e esse estava ainda muito longe. Só os intelectuais da sua roda de amigos apreciavam a sua cultura e talento. Em cartas que escreveu a amigos, Fernando Pessoa lastimava não ser compreendido como desejava, como se achava merecedor. É sabido que todos os espíritos inovadores, salvo raras excepções, só são compreendidos fora da sua época.
Nesta casa da Rua Coelho da Rocha nasceu a segunda filha de Henriqueta Madalena, a Maria Manuela, uma criança que o tio Fernando acarinhava e a quem se dedicou. Depois de tantos desgostos passados, aquela criança impetuosa e saudável alegrava o ambiente e o lar. Chegara numa altura em que o sofrimento se tinha tornado insuportável. Havia um rasto de mortos no trágico ano de 1925, pois como já foi dito, morrera a mãe do poeta, a primeira sobrinha, o avô Veríssimo Dias, sogro da sua irmã e o tio Henrique.

No segundo período de cartas de Ofélia é vísivel a afeição do poeta pela Mimi ( a pequena Manuela, sobrinha de Fernando, autora do livro"Fernando Pessoa, imagens de uma vida", no qual é baseada esta biografia), Manuela deixa algumas recordações:
«Havia um sofá azul na comprida casa de jantar da Rua Coelho da Rocha, no centro uma mesa redonda em nogueira (...), um armário grande de alçado onde se punha a loiça(...) Recordo-me ainda de um sideboard e de tudo o que estava em cima e dentro dele, bem como das cadeiras, das pequenas mesas, do relógio de parede(...)A figura de Fernando andando initerruptamente no corredor em forma de L é uma das minhas memórias mais exactas e vivas. Vestia fato cinzento- escuro (apesar de viver como uma certa modéstia, comprava os fatos no Lourenço e Santos), sempre de camisa muito bem engomada e laço preto ou gravata preta. Passeava naquele corredor onde eu puxava os meus carrinhos de criança e, por quaquer razão ou mistério, eu sabia que não o podia perturbar em certas ocasiões. Quando ele, por fim, parava essa caminhada tão usual, vinha até onde eu estava e olhava-me. Às vezes perguntava-lhe: «O tio vai sair?» Se a resposta fosse negativa, pedia-lhe :« E se eu fosse fazer-lhe a barba?». Quando sorria e mostrava concordar a cena começava.
Ele sentava-se no sofá azul e deixava que eu lhe pusesse uma toalha ao pescoço. Ajoalhava-me a seu lado, com uma taça metálica com água e o pincel da barba previamente preparados, e começava a espalhar-lhe a espuma por toda a cara. Como já o tinha acompanhado várias vezes ao Sr. Manacés, o barbeiro da nossa rua, sabia perfeitamente o tipo de conversa que costumava haver na barbearia. Assim, nesta brincadeira muito séria de «faz de conta», o diálogo era pré-estabelecido e tudo levado a sério. Com uma faca de papel de galatite preta ( ainda não tínhamos chegado à era do plástico), eu escanhoava-lhe a cara dizendo sempre que estivesse quieto não leh fosse cortar as orelhas.
No final, aplicava uma loção cor-de-rosa e dando pancadinhas na cara dizia: «Sr. Pessoa, está pronto». O tio puxava o porta-moedas da algibeira e pagava o justo preço. Se o via disposto a aceitar um arranjo de unhas iniciava o segundo tratamento. A toalha passava para o colo e os apetrechos de toielete de minha mãe entravam em função.(...)Por este trabalho recebia outra moeda.
Eu deveria ter, talvez, uns cinco anos. Pedia que a empregada me acompanhasse e lá ia eu, sempre correndo à frente, até à leitaria do senhor Trindade comprer barrinhas de chocolate com as moedas ganhas. Quem sabe se isso não teria inspirado Fernando Pessoa quando escreveu o seu poema «Tabacaria» estes versos :«Come chocolates pequena;/ come chocolates!/Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.»? Tudo serve a um criador para se inspirar...como se sabe»
Aconteceu, que o cunhado de pessoa de Pessoa, e pai de Manuela mudou-se com a sua mulher e filha para Évora, por causa do seu emprego como militar , onde viveram durante 3 anos. Através das cartas do segundo período de namoro com Ofélia pode-se verificar que Pessoa ía muitas vezes a Évora. A namorada ía passar os aniversários ao Alentejo da irmã e da sobrinha, e a época de Natal. Nelas se referem alguns presentes que lhe levava, ele sempre gostou de dar presentes.
Quando regressaram à Rua Coelho da Rocha, tinha Manuela cinco, seis anos, a vida continuou normalmente. «Lembro-me perfeitamente dos pequenos presentes que o meu tio me trazia e escondia debaixo da dobra do meu guardanapo. O entusiasmo de ver que o guardanapo estava gordo, o desembrulhar e a cara dele de alegria ao ver-me correr para o abraçar!». Em 1930, nasceu o irmão de Manuela.
Entretanto, o cunhado de Pessoa decidiu comprar um terreno em S.João do estoril para construír uma casa, « Lembro-me de ver o meu tio no terreno onde as fundações começaram a abrir-se, a conversar com os meus pais enquanto eu corria acima e abaixo daquele terreno inclinado que não me parecia adequado para construir uma casa. Quando nos mudámos para a casa nova, havia um quarto destinado ao Fernando. A rua em frente dessa casa chama-se, actualmente, Rua Fernando Pessoa. Meu tio vinha passar o fim-de -semana e deambulava pelo jardim de mãos nas algibeiras. Lembro-me de ouvir a mãe contar que as suas conversas influênciaram a decoração da casa: o espírito «Cubista» e «Arte Nova» levaram à escolha dos móveis, dos cortinados e dos estofos. Era a moda» conta a sua sobrinha Manuela «Uma tarde, o tio Fernando saiu para dar uma volta. Escurecia, aproximava-se a hora do jantar e ele nem vinha nem dava notícias. Meu par atendendo à preocupação, talvez exagerada, de minha mãe, desceu a rua e foi até ao paredão que dá para a Praia de S.João, onde o encontrou, olhando o mar, num crepúsculo muito perto da noite. Quieto, perscrutando o oceano.»

Nestes apontamentos ligeiros, mas onde o espírito da verdade é o principal objectivo, o leitor encontrará talvez motivos para querer conhecer melhor a obra deste homem que preferiu deixar ao mundo os seus pensamentos, as suas dúvidas. Sabemos que o dogmatismo, o fanatismo e a violência eram os inimigos que nunca tolerou.
Não interessa querer enquadrá-lo numa religião, numa política, num padrão. Justamente diversificou-se porque não cabia dentro das fórmulas que sempre apequenam o ser humano. Talvez por isso a sua obra cresça incessantemente, e Fernando Pessoa se tornou um dos melhores poetas de sempre e da humanidade.








As informações deste texto, bem como muitas das frases foram retiradas do livro « Fernando Pessoa, imagens de uma vida» publicado pela sua sobrinha, Manuela Nogueira

publicado por busybee às 19:47
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